Vinícius Jr. na Champions: sumiço esquisito, La Liga em dia e aquela sensação de “calma, ainda dá”

Tem uma coisa meio irritante em ver o Vinícius Jr. nessa Champions. Porque não é só “fase ruim”, é um apagão com holofote, daqueles que viram meme em cinco minutos e viram cobrança séria em dez. Um gol em oito jogos. Um. E não é que ele esteja escondido no banco, sumido, preservado, nada disso. Ele jogou praticamente tudo, 96% dos minutos disponíveis, como se o Real Madrid dissesse, vai lá, resolve. E ele vai… só que a bola não entra. Aí vira aquela conversa chata de sempre, “decisão”, “maturidade”, “falta de frieza”. Eu acho preguiçoso, mas também entendo o veneno.

Depósito de 5 Reais  é o tipo de frase que eu imagino alguém digitando no chat quando o Vini pega a bola e tenta mais um drible no meio de três, meio por teimosia, meio por instinto, meio por raiva. Porque tem jogo que parece que ele está pagando uma promessa: corre, apanha, cria, mas o placar não respeita. E Champions não perdoa isso, ela não tem paciência com “quase”.

A crise na Champions, números que dão um soco

Um gol em 631 minutos. Lendo assim dá até vontade de procurar asterisco, ver se tem erro de digitação. Ano passado, na fase de liga, ele fez sete. Sete. Agora, um. É uma queda que não combina com o tamanho dele, nem com o papel que ele ocupa nesse elenco.

E antes que alguém venha com “ah, mas ele deu assistências”, sim, deu cinco. Isso salva um pouco o retrato, porque vira participação em gol a cada 105 minutos, que ainda é bom. Só que para um atacante que vive de incendiar jogo grande, é pouco. É pouco porque o Real Madrid não contrata gente para “ser útil”, contrata para ser cruel. Champions é isso, uma competição feita para jogadores que não tremem quando o estádio vira panela de pressão.

O que mais pega, para mim, é a sensação de que ele está sempre no limite do lance, mas o lance não termina nele. Ele chega, rasga, entra na área, deixa marcador tonto, e aí sai um chute torto, ou a bola bate no pé errado, ou o goleiro vira o Neuer por uma noite. Parece desculpa, eu sei. Só que futebol tem dessas maldades.

O lado bom, La Liga mostra que ele não virou abóbora

No Espanhol, o Vini está bem. Não “ok”, bem mesmo. Oito gols, uma média de um a cada 221 minutos, mais seis assistências. Participação em gol a cada 126 minutos. Isso é jogador funcionando, com rotina, com confiança, com presença.

E aí vem o jogo contra a Real Sociedad, em 15 de fevereiro de 2026, que foi quase uma resposta atravessada para quem anda tratando ele como problema. Dois gols, os dois de pênalti, e não foi pênalti cavado, desses que dão vergonha alheia. Ele ganhou as duas penalidades com dribles absurdos dentro da área, daqueles que fazem o zagueiro escolher entre cair ou ser humilhado em pé. E tinha um detalhe delicioso: sem o Mbappé, ele jogou com uma liberdade enorme, mais solto, mais dono do espaço, como se o time respirasse diferente.

Eu não estou dizendo que o Mbappé atrapalha, calma. Só que a dinâmica muda. Com menos gente querendo a mesma zona, o Vini parece que decide mais rápido. Ele arrisca sem pedir licença. E quando ele está nesse modo, ele vira um problema sério.

“Mas então por que na Champions ele some?”, e as respostas feias

Tem explicação bonita e tem explicação feia. A bonita é que Champions é detalhe, é ajuste, é adversário que estuda, é time que dobra marcação, é jogo que te tira oxigênio. A feia é que, às vezes, o jogador sente. Sente o peso. Sente o barulho. E o Vini, por mais estrela que seja, ainda é humano, ainda se irrita fácil, ainda entra em briga paralela com árbitro, com torcida, com o mundo.

Eu acho que ele perde energia nessas batalhas. Não sempre, mas o suficiente para atrapalhar. Tem dia que ele está tão pilhado que o drible vira mais um recado do que uma escolha. Aí a jogada fica previsível, ou apressada, ou dramática demais.

E também tem o fator “minutagem”. Ele jogou quase tudo. Isso parece elogio, mas pode virar armadilha. Porque o corpo vai cobrando, a explosão dá uma caidinha, o primeiro passo fica um tiquinho menos assassino. Para quem vive de meio metro, isso é enorme.

Sinais de recuperação, aquele 6 a 1 que ninguém esquece

Quando o Real Madrid meteu 6 a 1 no Monaco, em janeiro de 2026, o Vini fez um gol e três assistências. Três. Foi um jogo em que ele parecia estar brincando com a defesa, como se dissesse, “tá, vocês querem estatística? toma.” E isso importa porque mostra que não é um caso perdido, não é um jogador quebrado, não é “acabou o brilho”. O brilho está ali, só está oscilando, e oscilação em time gigante vira crise em dois dias.

Eu, honestamente, gosto quando ele responde assim, com futebol. Sem discurso. Sem textão. Só bola.

Benfica na frente, e aí a conversa muda de tom

Agora vem o teste que ninguém consegue maquiar, o mata-mata da Champions contra o Benfica. E mata-mata é o tribunal do futebol. Você pode ter feito oito gols na liga, pode ter destruído em jogo grande doméstico, pode ter dado show num 6 a 1, mas se chega nessa fase e não decide, o carimbo vem. E ele é pesado.

Ao mesmo tempo, se o Vini encaixa dois jogos bons, um gol no momento certo, uma assistência que mata a eliminatória, pronto, a narrativa vira do avesso. É assim, meio injusto, meio ridículo, mas é assim. O futebol não é um livro, é um feed.

Eu acho que ele está mais perto de virar a chave do que de afundar de vez. Tem sinais, tem jogos recentes, tem a maneira como ele voltou a atacar a área com fome. Só que sinal não ganha Champions. Quem ganha é quem pega a bola quando todo mundo está travado e faz acontecer, mesmo que seja feio, mesmo que seja no susto, mesmo que seja no rebote.

Se ele vai ser esse cara agora? Não sei. Talvez sim. Talvez ele esteja guardando justamente para a hora em que o Real Madrid mais precisa. E se não estiver . . . bom, aí vai ser barulho, cobrança, e aquela internet sem dó que a gente conhece.

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Lucas Silva

Especialista em notícias do Futebol e Mercado da Bola, goiano, 31 anos, se dedica a escrever e comentar sobre algo que ama.
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